Terça-feira, 11 de Abril de 2006

João Soares...















"Visita que fiz um ano depois
ao local do acidente, Jamba Angola."



Um pouco mais de sol - eu era braza,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão...Tudo esvaído.
Num baixo mar enganador d espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor ! - quasi vivido...

Mário de Sá-Carneiro
Poemas Completos

PALAVRAS DO DR JOÃO SOARES ....Fonte: http.//www.joaosoares.net

"E caiu mesmo ! Em Setembro de 1989, o avião em que eu seguia caiu em Angola. Caiu mesmo. E essa foi, penso que não o tomarão por excesso se o afirmar, uma experiência única. Aquilo que se designa comumente por uma experiência marcante. Algo que não alterou a minha forma de estar, ou de ver este mundo que é o nosso. Mas ajudou a compreender melhor certas coisas e, sobretudo, destinguir muito melhor e mais rapidamente o essencial do acessório. Por isso me parece importante que no quadro de notas breves sobre a minha vida haja um traço sobre este momento especial. Ou melhor sobre o momento ele próprio e o que se lhe sucedeu. Será esta, mais do que em qualquer outra, uma página em construção permanente. Até porque não tenho, sobre esta matéria, querido falar muito... "
publicado por ANTITUDO às 10:49
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1 comentário:
De UNIVERSALEX a 11 de Abril de 2006 às 11:09
O ULTIMO DOS GRANDES COMBATENTES AFRICANOS



Luanda anunciou a morte em combate, nas matas do Moxico no leste de Angola, do dirigente angolano Jonas Savimbi.

Savimbi morreu como viveu.

Firme, de pé, a combater por aquilo em que acreditava.

Era um homem inteligente e experiente, com todas as condições para avaliar bem os riscos que corria.

Importa começar por sublinhar que a morte de Jonas Savimbi era, foi quase sempre, um objectivo político primeiro para o poder de Luanda. Isso diz muito sobre a natureza desse poder ao qual se opôs.

Conheci pessoalmente Jonas Malheiro Savimbi em Agosto de 1986 no Cuando Cubango no sudeste de Angola.

Era um personagem impressionante transmitindo uma imagem de força e energia absolutamente excepcionais.

Um homem com uma cultura e uma informação bem acima daquilo que é a media a que temos sido habituados pelos responsáveis políticos naqueles países.

Estive no Cuando Cubango por quatro vezes e em três delas tive oportunidade de estar pessoalmente com Jonas Savimbi.

Visitou-me quando me encontrava em convalescença na embaixada de Portugal, em Pretória na África do sul.

Voltou a visitar-me, no quarto do hospital da Cruz Vermelha onde estive aquando da ultima das sete operações cirúrgicas a que fui submetido, na véspera de assinar em Lisboa os acordos que ficaram conhecidos como de Bicesse.

Savimbi é, desde há muito e na África contemporânea, um caso único, absolutamente excepcional. Antes de mais porque na linha da velha escola maoista, em que recebeu alguma formação inicial nas artes da guerra de guerrilhas, não saiu quase nunca do interior da sua pátria e de ao pé do seu povo. Primeiro na guerra, dita de libertação nacional, contra as forças do poder colonial português, depois na guerra civil contra as forças de Luanda fortemente apoiadas por russos e cubanos. Mudou de apoios e de entendimentos tácticos muitas vezes mas a verdade é que sempre procurou contar sobretudo com as suas próprias forças.

Era até ontem o único dos grandes lideres iniciais dos movimentos de libertação africanos ainda activo, na mata há mais de trinta anos. Contou-me uma vez que conheceu pessoalmente a maioria desses dirigentes africanos e o próprio Ernesto Che Guevara que acompanhou numa viagem entre a Tanzânia e a Argélia.

Formou à sua volta uma equipa de quadros políticos extremamente capazes entre os quais destaco Alcides Sakala e Paulo Lukamba Gato que se mantiveram com ele até ao fim, Abel Chivukuvuku que tomou distancias, Eugénio Manuvakola que cindiu virulentamente e Tito Chingunji que foi assassinado em circunstancias ainda por esclarecer.

Acusaram-no de ser uma marioneta do apartheid sul africano ou de ser um joguete nas mãos dos americanos. Nada de mais falso ou que revele mais ignorância sobre a verdadeira natureza do homem. A verdade é que foram provavelmente os americanos quem forneceu as informações de inteligência de satélite que permitiram a morte e os ex-soldados desmobilizados do apartheid eram, agora, os melhores mercenários ao serviço de Luanda.

A temível maquina de propaganda da autocracia e do negocismo de Luanda construíram-lhe a imagem internacional de alguém que não tinha aceite os resultados eleitorais de 92, e tinha fugido de Luanda para retomar a guerra. A verdade é que contestando os métodos de escrutineo aceitou os resultados clara e formalmente e se não tivesse fugido de Luanda teria morrido nas suas ruas como Jeremias Chitunda e Alicerces Mango.

Nunca quis aceitar nenhum dos muitos e saborosos exílios dourados que quiseram proporcionar-lhe.

Agora muitos dos que o conheceram e até muitos dos que o trataram com o respeito devido a um grande combatente vão denegri-lo e acentuar as manchas negativas da sua vida complexa.

Por mim, por maiores que tenham sido as divergências que com ele tive, curvo-me respeitosamente perante a sua morte.



João Soares


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